Ode aos fofos
Aos meus amigos.
Aos que se autodefinem fofos,
Eis a minha homenagem, porque longe de serem estorvos
Fazem bem ao mundo e merecem estes louros!
Os fofos são, por assim dizer,
Uma raça evoluída e apartada
De bobos apaixonados
Que insistem em dizerem-se humanos
O que, todavia, não são
Já que magoar ou chafurdar é o que sempre intentamos
São os fofos classe superior
De corajosos covardes
Que insistem em amar com amor!
Forjados pelo pouco sofrer
Ou pelo muito carpir,
Luzes que brilham, no árido solo daqui...
Ah, fofos! O que será de nós,
Quando voltardes vós,
Para o céu donde viestes?
Ah! Não quero pensar neste dia,
Em que, dolorosamente,
Esta alma esturricada vos perderia!
Suportaremos, até quando, nossa própria secura?
Dormir e acordar sem sonhos, na dureza da amargura
Sem a doçura dos vossos braços, que outrora aqui estavam...
Que se proclame um feriado aos luminares,
Para que nunca pensem em fuga:
O dia dos fofos, que não será, para mim, feriado...
Mas, alegre, mato trabalho, para fofamente, comemorar convosco,
Caríssimos fofos!
Francisco Gonçalves
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