Não.
Não se pode apagar a tinta ressecada, mas fresca
que imprime tua imagem
em mil na minha retina.
Não se pode passar corretivo
naquilo que é incorrigível
nem se deve cuspir na memória
como se cospe - merecidamente -
no deputado canalha defensor do retrocesso.
Não se pode olhar para trás
com os olhos de quem vira
e não soubera agir.
Mas, se soubesse, agiria como quem o sabe?
Na escuridão me encontro
sem tinta, sem retina,
sem corretivo, nem cuspe.
Transbordo-me em lembrança,
no olhar vago e cansado
daquela que não sabe
olhar para frente.
Estaria eu fadada à insensatez?
Oito de agosto de dois mil e dezesseis, numa noite sem final.