E no dia dos namorados...
Num certo dia dos namorados
Inventei poesias de amor
Fingi pra não me chamarem
de poeta Casmurro, infeliz, mal-humorado!
Decadentista diria o intelectual,
Despeitado diria o menos letrado!
Verdade é: Acho a vida rosada uma modorra, um saco
Tão bonitinha para dois! Cantiga de ninar para os outros...
Esta é minha poesia sincera,
Casmurra e mal-humorada!
Mas seria infeliz? Claro que não!
Sozinhos e realizados
Em um dia dos namorados
Por que é tão impossível assim?
Companhias são fugidias,
Somem, reaparecem, estúpidas e bobas,
Vêm e vão, como o quente verão
loguinho se esvai...
Deixa saudades, mas se vive sem!
Uns 50 anos, quem sabe cem?
“Por que viveste tanto?” Perguntaram à anciã
“Enviuvei aos 30”, exclamou!
Dizem: “O amor fica”! Ah, fica! Mas quem é este amor?
O kid hiperativo- trapalhão?
Este conheço, adotei, dorme do meu lado!
É meu companheiro e camarada,
Melhor amigo desde o dia em que vi
Que sou minha melhor companhia...
Assumo e repito, mesmo que cause furor:
Este mesmo poeta bêbado e insensível
Prefere a companhia de si!
Conjuro meu direito,
De achar cupido um moleque meio chato!
Se hoje é dia em que solteiro chora,
Vamos celebrar nossas lágrimas com vinho e risada,
A alegria de, acompanhado, poder estar sozinho!
E de, sozinho, poder estar acompanhado!
Menos Julia Roberts e mais Palas Athena!
Menos Romeu e mais Dionísio!
Idealização é, na vida, pasta americana:
Torna a vida mais bonita, Mas sem gosto!
Verdade tem gostinho de carqueja,
Mas evita indigestões e muito desgosto.
Francisco Gonçalves