domingo, 9 de junho de 2013

Muro de Eras

Muro de Eras

Naquele muro de heras
Vi passar o passado...
Lento e pesado,
Como caudaloso rio a murmurar.

Aquela pedra fria de folha datada
Confidenciava-me coisas que decidi olvidar
Falava de ti e de mim, deles e de nós,
Sempre a insistir, sem nunca parar de falar

Naquele muro vi as Eras,
Eras donde vim, Eras em que vivi
Essas que prefiro esquecer,
Mas que vem me revisitar...

Naquele muro, naquelas heras,
Naquelas Eras, em que tu não eras, nem eu...
Onde perto, dentro, aquém ou além,
Insisto, permanecerei.

Até as horas culminarem, ou eu desistir,
Ou o muro de heras com o passado ruir
Com a morte das Idades, ou o agonizar do tempo
Ou meu fim.

Francisco Gonçalves 

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