domingo, 9 de junho de 2013

Forma

Os maus amores,
Os que me machucaram, corroeram, magoaram,
Os que pedaços e cacos de mim, abruptamente,
Violentamente, arrancaram

Os olhares não correspondidos,
Os sorrisos frustrados...
As histórias não vividas,
Não desfrutadas!
Sangrentos fados,
Prantos levados

Na verdade, não me quebraram,
Muito ao contrário do que pensava.
Os golpes que pareciam os de uma toada destoada
Trágica, sem rumo, até desvalida
Me burilaram, (en)formaram,
Para que eu estivesse do tamanho certo,
No dia em que, finalmente,
Encaixasse em ti, naco de min’alma,
Pedaço de mim...
O amado amor que reside aqui

Cada martelada doída que levei,
Cada lágrima que, completamente em vão, derramei
Foi engaste certeiro,
Como ferramenta em mãos de carpinteiro
Que formaram o que sou hoje,
Parte de um só eu
que somos
dois!


Francisco

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