Mosaico-talhos
Só encontro-me,
Ensimesmo-me,
Em nigérrimas grutas,
Cavernosas cuias
Algumas enchidas de rum.
Busco-me só...
Busco-me e só.
Cato pedaços perdidos,
Colo-os, continuo desmontado.
Ad semper mosaico,
Desconstruído,
Complicado,
Descontínuo.
Mas
Não me fales de ti,
Não quero te ouvir,
Me encontro em minha escuridão,
Retém tua mão, some,
Silencia, despacha-te, vai,
Não invejo tua falsa unicidade crua,
Teu fingimento cínico de razão,
Filhos de Apolo em Parnaso estão!
És talhado na fôrma gauche de Adão:
C'est faux, palavras somente repetes,
Cego és tu, cegos teus mestres!
Sou de Dionísio,
Cada caco meu urra emoção,
Grita vivência nua,
Traz história contada,
Em beira de fogueira cigana!
Palavras talhadas em navalha,
Risadas, lágrimas, amores vários...
Minhas peças desagregadas,
Bacantes a correr selvagens,
Não invejam o gesso grosso
Onde embotas teus temores,
Teus segredos podres,
Tua ilusão de ser um,
O um não é gente,
Sou vários,
Gente sou!
Em meio a tantos, gente estou!
Encontro-me só!
Só encontro-me!
Há mais ventura em buscar,
Do que gozo em achar...
Deixa-me catar-me
Vida de gente é demanda
E só...
Francisco Gonçalves, março 28, 2016
Quão pouco os poetas se encontram em meio às suas rotinas "sempicaóticas". Desafie essa devoradora aqui: Comente, Recite, Cante, Vocifere. EXPRESSE!Somos os bardos deste século tão secular onde vivemos! Pare tudo o que estiver fazendo, Dê-se este tempo, dê-nos este tempo! Carpe Diem! Com a benção da lira de Apolo Febo! Seja bem vindo! Faça parte do Círculo dos Bardos, o clã da poesia na internet! Para seu poema ou texto em prosa ser publicado aqui envie para circulodosbardosoficial@gmail.com
domingo, 27 de março de 2016
Passionis
Fere profundo
A lança ambipontiaguda,
Desta loucura chamada amor
Que o diga Briseida enlouquecida
Comigo dialogando,
Que o diga Medéia ensandecida:
Num átimo mato:
frutos mais lindos...legítimos...
Num átimo firo:
pedaços de mim,
atalhos curtos, para golpear-te!
Dorida, ainda sangro...
Gota a gota, Sangro...
Gotas rubras, amargas,
Fragilmente tatuadas,
Teu nome escrito...
Francisco Gonçalves, dezembro 6, 2015
Fere profundo
A lança ambipontiaguda,
Desta loucura chamada amor
Que o diga Briseida enlouquecida
Comigo dialogando,
Que o diga Medéia ensandecida:
Num átimo mato:
frutos mais lindos...legítimos...
Num átimo firo:
pedaços de mim,
atalhos curtos, para golpear-te!
Dorida, ainda sangro...
Gota a gota, Sangro...
Gotas rubras, amargas,
Fragilmente tatuadas,
Teu nome escrito...
Francisco Gonçalves, dezembro 6, 2015
A TI
Amo-te por razões
Que a razão desconhece
Diz a sabedoria (popular)
Mas amo-te antes
Por razões
que exibidos mortais
preferem não falar.
Reconheço meu ego
errante que em ti,
somente em ti
Desejas repousar
Um amor de razões egoístas
Que a sabedoria (popular)
Prefere não reconhecer
Prefere não falar.
Mas aqui reconheço:
É pleno o meu amor
E não nego o ego:
nele carrego anseios
É amor que somente
Deseja
RE
POU
SAR
Repousado, pleno,
na Efemeridade do fugidio
Tempo
Nos teus braços deseja
SU
BLI
MAR.
Petrópolis, fevereiro de 2016
Bárbara Kreischer
Amo-te por razões
Que a razão desconhece
Diz a sabedoria (popular)
Mas amo-te antes
Por razões
que exibidos mortais
preferem não falar.
Reconheço meu ego
errante que em ti,
somente em ti
Desejas repousar
Um amor de razões egoístas
Que a sabedoria (popular)
Prefere não reconhecer
Prefere não falar.
Mas aqui reconheço:
É pleno o meu amor
E não nego o ego:
nele carrego anseios
É amor que somente
Deseja
RE
POU
SAR
Repousado, pleno,
na Efemeridade do fugidio
Tempo
Nos teus braços deseja
SU
BLI
MAR.
Petrópolis, fevereiro de 2016
Bárbara Kreischer
MEDO
O medo que assola
Que apavora
Que contém
Que irrita
Que desarma
Que desestrutura
é o medo de todos os dias
não importa
se é fevereiro ou novembro.
É o medo
do porvir
do futuro
da perda
da escolha
do outro.
O medo é a redoma
Que sufoca
Que apaga
Que encolhe
Que diminui
Nesta sala vazia.
Rio, 29/10/2013
Bárbara
O medo que assola
Que apavora
Que contém
Que irrita
Que desarma
Que desestrutura
é o medo de todos os dias
não importa
se é fevereiro ou novembro.
É o medo
do porvir
do futuro
da perda
da escolha
do outro.
O medo é a redoma
Que sufoca
Que apaga
Que encolhe
Que diminui
Nesta sala vazia.
Rio, 29/10/2013
Bárbara
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