segunda-feira, 25 de abril de 2016

Ama comigo
Amigo, algumas ideias perdidas
No grande jardim elísio
Dos sentimentos heroicos
Valentes
Parte comigo, ó amigo.
Não ouso grafar pronome de posse
Amigo
Amo sim,
Amo fim.
Tenho medo de tal “simpatia”
Mas amo ainda Amigo,
Teu coração leal, fraternal, cordial.
Nobre.
Parte comigo,
Ó amigo.
Parte comigo, pro mundo das coisas reais
Da bondade boa
Da felicidade grande
Do abraço inteiro
Do amor contundente
Do amor que me chama de Gente.

Cipriano.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Para tão longo amor...

Entre desvios bifurcados
Entre enleios de caminhos entroncados
As nossas vias se cruzaram,
Mergulhei nos castanhos de teus pequenos olhos,
Encontrei sentido único em teu rosto bem talhado,
Na barba grossa que me alça às nuvens
Quando em meu desnudo corpo roça...
Uma rota inesperada fulgurara.

Nos descaminhos de uma calculada louca vida,
Rumo em teus lábios encontrei...
Qual é o sentido de amar,
Se não o de se perder sentido as linhas
Dantes traçadas quando o amado inexistia?
Qual é o sentido de amar,
Se não o de não ter sentidos e caminhos?

Na tua pele morena, no tato e calor dela,
Meu estado febril e temperatura amena
Encontram-se num desequilibrado equilíbrio exacerbado:
Amar é fazer presente o sempiterno estado de um beijo,
Amar é trilhar o caminho do eterno segundo
em que as nossas almas se encontram no gozo indizível do encontro,
mortos e enterrados passado e futuro,
só o presente temos: ponto de luz entre nossas mãos os corpos,
num beijo eterno temos o continente de todo o mundo!

Quem o mundo tem com caminhos não se importa
Destino não é nada,
Só nosso tempo há.
Eu te amo é o espaço onde teu coração não é o objetivo,
É a via pela qual ditoso trilho.



Francisco, abril 05, 2016

Quando amor o poeta viu e compreendeu o que não entenderá nunca...
Arcânjeluz

Rafael,
Tens fogo nos olhos
Tens fogo na alma
Luz no sorriso,
Lampejo forte!
Relâmpago poderoso, mas dócil,

És Quente, reconfortante!
Com o indômito poder ígneo,
Pulsando vermelho,
Nas gotas de teu sangue de Magma...
És Brasa arrebatadora
Sol de luz nascente
Apolo em carro incandescente...

Rafael,
Minha cura,
Cura dos Deuses 
Luzente menino,
Sol feito de mil outros sóis,
em um átomo contido.

Ocultado em angelical criatura
Singela, humilde,
Com segredos escondidos,
Revelados em olhos inflamáveis,
Que me despertam,
Em recônditos incêndios,
Incessantes
Inéditos
Cativantes
Eternos

Francisco 
Lágrima

Afinal, o que é estar infeliz?
É ter alma Multíplice e cigana
Viajante de muitos lugares,
Imaginadora?
Que reside onde não pode O corpo estar...
E deseja velejar por lugares 
Que ninguem ouvira falar?
Ser infeliz é estar preso
Onde não se quereria estar?

É estar fadado 
A ser insatisfeito na satisfação
A querer o que não pode possuir
Sonhar, desejar, aspirar,
Àquilo que nunca SE vai conseguir?
Não. Arrisco palpitar.
Isso é frustração...

Então Tristeza é frustração?
Não. Frustração é manga rosa com casca de metal,
É falso amigo de infância, doce por fora
Com polpa amarga por dentro.
É trufa de brigadeiro revestida de fel e carqueja.
É traição, beijo de Judas.
Supera-se em três dias de morte e ressurreição.

Tristeza dói mais...
É estar sozinho cercado de vozerio,
É estar sedento dentro de rio,
É ser amado e não amar...
E, amar sem ser amado,
Além de tristeza, é azar.

Tristeza é vazio,
Tristeza é se sentir apertado
Em sua imensa largueza...
Tristeza é vagar parado naquilo que não se fez
Parar na culpa e adorá-la como deusa,

Arrepender-se do plano não executado,
Sem poder culpar disso outro ser senão a si...
Tristeza é ser vácuo Repleto de ar,
Estar oco de sentidos,
Mas hiperssensível a tudo que pulsar...

É morrer a cada minuto
Porque se quer muito viver...
Repleto de esperanças mortas,
Jacentes em vala ordinária...
Empilhadas,
Olhos vidrados, rostos inertes, sem respirar...
Indigna do Santo Solo
Dedicado aos sonhos
há muito sepultados.

Tristeza hoje sou eu...
Afogado, sufocado, morto, estilhaçado
Neste bravio, negro e árido mar de mim...
Dormente, desgraçado
Em meu esquife,
Esperando um ósculo perdido, 
Que nunca chegará...

Tristeza sou eu...

Francisco
Conte de Sorcière

Pobre de minh'alma.
Um dia princesa se achou.
Um esquife cristalino,
Com suas próprias lágrimas fabricou.

Envenenada, deitou-se.
Sem mais, a esperar pôs-se
O seu Príncipe retornar.
O tempo, impaciente, passou-se.

O Amado não voltou
A maldição perdurou.
Hoje só restaram os ossos, 
Nenhum príncipe chegou.

O real paspalho, 
Idiota real, imagem de Adão
Uma vergonha para Romeu...
De sua mais preciosa jóia olvidou

Morreu velho, pobre, só...
Ensimesmo sepultado
Com honras e mais nada
Dois anos depois, esquecido pó...

A seu favor digo, 
Felizes são as Bruxas: 
Elas agem, nunca esperam, 
por isso morrem jovens, vivendo eternas, 
ao contrário de pobres princesas!

Enclausuram-se 
Em Principescos exemplos de atraso,
Inertes, filisteus e burros!
Que com os anos criam barrigas
E as fazem empregadas,
Mulheres dantes quase rainhas...

Estes contos que ouvistes
Nascem da fantasia 
De alguma velha débil,
Louca, alienada, tola e esquecida.

A seu favor digo, 
Felizes são as Bruxas: 
Elas agem, nunca esperam, 
por isso morrem jovens, vivendo eternas,
Ao contrário das pobres princesas,
Que viram ossos ou escravas de inermes,
... Para sempre


Francisco Gonçalves