terça-feira, 12 de abril de 2016

Conte de Sorcière

Pobre de minh'alma.
Um dia princesa se achou.
Um esquife cristalino,
Com suas próprias lágrimas fabricou.

Envenenada, deitou-se.
Sem mais, a esperar pôs-se
O seu Príncipe retornar.
O tempo, impaciente, passou-se.

O Amado não voltou
A maldição perdurou.
Hoje só restaram os ossos, 
Nenhum príncipe chegou.

O real paspalho, 
Idiota real, imagem de Adão
Uma vergonha para Romeu...
De sua mais preciosa jóia olvidou

Morreu velho, pobre, só...
Ensimesmo sepultado
Com honras e mais nada
Dois anos depois, esquecido pó...

A seu favor digo, 
Felizes são as Bruxas: 
Elas agem, nunca esperam, 
por isso morrem jovens, vivendo eternas, 
ao contrário de pobres princesas!

Enclausuram-se 
Em Principescos exemplos de atraso,
Inertes, filisteus e burros!
Que com os anos criam barrigas
E as fazem empregadas,
Mulheres dantes quase rainhas...

Estes contos que ouvistes
Nascem da fantasia 
De alguma velha débil,
Louca, alienada, tola e esquecida.

A seu favor digo, 
Felizes são as Bruxas: 
Elas agem, nunca esperam, 
por isso morrem jovens, vivendo eternas,
Ao contrário das pobres princesas,
Que viram ossos ou escravas de inermes,
... Para sempre


Francisco Gonçalves

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