terça-feira, 12 de abril de 2016

Para tão longo amor...

Entre desvios bifurcados
Entre enleios de caminhos entroncados
As nossas vias se cruzaram,
Mergulhei nos castanhos de teus pequenos olhos,
Encontrei sentido único em teu rosto bem talhado,
Na barba grossa que me alça às nuvens
Quando em meu desnudo corpo roça...
Uma rota inesperada fulgurara.

Nos descaminhos de uma calculada louca vida,
Rumo em teus lábios encontrei...
Qual é o sentido de amar,
Se não o de se perder sentido as linhas
Dantes traçadas quando o amado inexistia?
Qual é o sentido de amar,
Se não o de não ter sentidos e caminhos?

Na tua pele morena, no tato e calor dela,
Meu estado febril e temperatura amena
Encontram-se num desequilibrado equilíbrio exacerbado:
Amar é fazer presente o sempiterno estado de um beijo,
Amar é trilhar o caminho do eterno segundo
em que as nossas almas se encontram no gozo indizível do encontro,
mortos e enterrados passado e futuro,
só o presente temos: ponto de luz entre nossas mãos os corpos,
num beijo eterno temos o continente de todo o mundo!

Quem o mundo tem com caminhos não se importa
Destino não é nada,
Só nosso tempo há.
Eu te amo é o espaço onde teu coração não é o objetivo,
É a via pela qual ditoso trilho.



Francisco, abril 05, 2016

Quando amor o poeta viu e compreendeu o que não entenderá nunca...

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