sexta-feira, 31 de maio de 2013

Um (a)(ru)moroso

Um (a)(ru)moroso

Nunca fui de grandes juízos...
Faz tempo que Sophia, vaca sedutora, me encantou e largou!
Esta frígida, não atura falta de siso por muito!
Velha morta, virgem virgiana, chata, sábia...
Deixou um bilhete polido e vazou!

De hoje, dela, restam mágoas e bágoas,
Lembranças recicladas,repetidas,  inventadas,
De uma relação frustrada que passou.

Vivo de nossas memórias, confesso...
Fato é: Não produzo nem reproduzo,
Sem tua impertinente organização!

Tua falta tá doendo, empacado e embasbacado,
Repetindo velhas sacadas como papagaio,
To num lugar ermo, desinspirado e cansado...
Afogado numa merda de inércia, sem ideia nem pensar...

Ah, Volta pra mim, Sophia!
Vamos flertar, vem me inspirar,
Um bom vinho, uma noite longa, uma trepada gostosa,
E voltaremos a multiplicar! Produzir, amar...
1001 tardes de Sherazade, a copular, contar, recontar,
Orgásticas páginas e páginas de histriônico gozo poético:
Orgias de teorias, teses, artigos...

A verdade, é que brigamos, mas te amo, mesmo dionisíaco...
Sem você meu trabalho perde o viço, o sentido...
Minha arte perde o amor...
Minha ciência ganha pudor...

O que é um poeta sem musa?
Um ensaísta sem paixão?
Um pesquisador sem afã?
Uma alma sem ardor?

É Praia sem sol, É Barco sem vento, Café com adoçante... Amante sem tempo,
Adulto sem dente... Criança engessada, Bala sem doce, Ofensa engasgada,

É Vida sem dor...

É Beijo sem amor...

É “chupar a vida com papel”! Ouvir piada sem palavrão:
Quase tem graça...
Só que não!

A um dia 6 de março do 13, dia sem muito êxito!

Francisco Gonçalves

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