Um (a)(ru)moroso
Nunca fui de grandes juízos...
Faz tempo que Sophia, vaca sedutora, me encantou e largou!
Esta frígida, não atura falta de siso por muito!
Velha morta, virgem virgiana, chata, sábia...
Deixou um bilhete polido e vazou!
De hoje, dela, restam mágoas e bágoas,
Lembranças recicladas,repetidas, inventadas,
De uma relação frustrada que passou.
Vivo de nossas memórias, confesso...
Fato é: Não produzo nem reproduzo,
Sem tua impertinente organização!
Tua falta tá doendo, empacado e embasbacado,
Repetindo velhas sacadas como papagaio,
To num lugar ermo, desinspirado e cansado...
Afogado numa merda de inércia, sem ideia nem pensar...
Ah, Volta pra mim, Sophia!
Vamos flertar, vem me inspirar,
Um bom vinho, uma noite longa, uma trepada gostosa,
E voltaremos a multiplicar! Produzir, amar...
1001 tardes de Sherazade, a copular, contar, recontar,
Orgásticas páginas e páginas de histriônico gozo poético:
Orgias de teorias, teses, artigos...
A verdade, é que brigamos, mas te amo, mesmo dionisíaco...
Sem você meu trabalho perde o viço, o sentido...
Minha arte perde o amor...
Minha ciência ganha pudor...
O que é um poeta sem musa?
Um ensaísta sem paixão?
Um pesquisador sem afã?
Uma alma sem ardor?
É Praia sem sol, É Barco sem vento, Café com adoçante... Amante sem
tempo,
Adulto sem dente... Criança engessada, Bala sem doce, Ofensa engasgada,
É Vida sem dor...
É Beijo sem amor...
É “chupar a vida com papel”! Ouvir piada sem palavrão:
Quase tem graça...
Só que não!
A um dia 6 de março do 13, dia sem muito
êxito!
Francisco Gonçalves
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