(À) Bientôt
Nunca deixo de lembrar que te esqueci,
Esquecer que te perdi...
Mesmo com a última pá da negra terra em tuas fauces
Falta-me a coragem de deixar-te ir...
A chaga não cura...
A ferida é aberta...
Teu rosto vai desaparecendo...
Mas teu cheiro, teu gosto, teu toque,
Persistem,
Subsistem
Não me deixam dormir...
Vai meu amor,
Porque outros virão...
Quero crer que virão...
Tu serás lembrança,
Lápide fria, onde com tempo
E a dedicação da alma viúva enamorada
Leixarei a última rosa rubra, um cravo negro e um adeus!
Francisco Gonçalves
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