segunda-feira, 4 de julho de 2016

Pardos Dias, Fúrias Frias



"O século XXI erige-se sobre pilhas de corpos movidos a clonazepam. O rivotril é a base do segundo milênio." 
(um filósofo schopenhaueriano paradoxalmente contemporâneo)

Peito arfante,
Respirações pausadas
Mãos enrigeladas
Alma grita soturna
Agudeia tilintar de lâmina fria!

Um sorriso, sem vontade
Esgarça o lábio triste,
O gosto salgado
É de lágrima
O gosto amargo
É de vazio...

Sem ar, grito,
busco nome sem achar
Impossível falar...
Barulhos, ruídos ininteligíveis,
Só minhas escuridões escuto,
Só soluços são audíveis...

Vida a conta gota, dia por dia,
é maçante rotina,
Peito pesado berra um dies irae,
Rasga, trágico, grito álgido,
De macambuzo tripallium cotidie.

Canta em coro de dó insípido,
Balada de vida sem sentido...
Existo, enlutado, numa única via,
Choro não é lenitivo,
Lagrimo mudo, produzo, sobrevivo.

A gargalhada aziaga,
D'alma perturbada,
É saída sandia...
Dói perviver lúcido a vida,
Escola hostil e dolorida...
Tarja preta, minha dileta cor preferida!

Francisco

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